Materiais piratas podem provocar falhas de emergência
O uso de sementes ilegais continua provocando perdas expressivas ao mercado brasileiro e também compromete o desempenho das lavouras. A estimativa é de que a prática retire cerca de R$ 10 bilhões por ano da cadeia de sementes, além de reduzir a arrecadação de impostos e limitar o potencial produtivo das áreas cultivadas.
Os dados foram apresentados durante o XXIII Congresso Brasileiro de Sementes, em Foz do Iguaçu, pelo presidente da Associação Brasileira de Sementes e Mudas, Paulo Pinto. Segundo a avaliação da Abrasem, a qualidade da semente tem influência direta sobre o estabelecimento da lavoura e sobre os resultados obtidos ao longo do ciclo produtivo.
Materiais piratas podem provocar falhas de emergência que variam de 10% a 20%, comprometendo a formação inicial das plantas. O cenário de preços mais baixos das commodities e de margens menores para os produtores também aumenta a preocupação, já que a tentativa de reduzir custos pode estimular a compra de sementes de baixa qualidade ou fora das exigências legais.
O Rio Grande do Sul aparece entre os estados com maior incidência do problema, com utilização de sementes ilegais superior a 40%. As dificuldades climáticas das últimas safras reduziram a capacidade de investimento de parte dos produtores e favoreceram a prática de reservar materiais para os ciclos seguintes. Paraná e Mato Grosso apresentam índices mais elevados de uso de sementes certificadas, embora também registrem casos de irregularidades.
A Abrasem ressalta que semente salva e semente pirata não são a mesma coisa. A legislação permite, em determinadas condições, que o produtor reserve parte da própria produção para o plantio seguinte. Já a semente pirata é produzida ou comercializada fora das regras estabelecidas.
Para reduzir as perdas, a entidade atua com empresas e órgãos públicos em ações de fiscalização e conscientização. A avaliação é de que ganhos futuros do agronegócio dependerão cada vez mais de produtividade, eficiência e sustentabilidade, com a semente tratada como investimento estratégico para o desempenho das lavouras.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 28/08/2026 às 09:40h.
