Primavera 2026 começa nessa terça-feira
A primavera 2026 começa em 22 de setembro, às 21h05, e terá a atuação de um El Niño de intensidade muito forte, com impactos diferentes sobre as regiões produtoras do Brasil. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o trimestre outubro-novembro-dezembro deve ter déficit de chuva e temperaturas acima da média em grande parte do centro-norte do país, enquanto o Sul tende a registrar chuva acima da média.
Segundo dados divulgados pelo Inmet, as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam anomalias positivas desde março de 2026. Na região Niño 3.4, referência para caracterização do El Niño-Oscilação Sul (ENOS), o padrão observado é consistente com condições de El Niño.
As probabilidades divulgadas pela NOAA/CPC indicam 98% de chance de ocorrência de condições de El Niño muito forte no trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026, considerando índice Oceânico Niño Relativo na região Niño 3.4 igual ou superior a 2 °C.
Na Região Norte, segundo dados divulgados pelo Inmet, a previsão para outubro a dezembro indica predomínio de déficit de chuvas em praticamente toda a região. Em Roraima, no norte-nordeste do Amazonas e no oeste e centro-sul do Pará, os acumulados podem ficar até 200 milímetros abaixo da média climatológica.
As exceções são o leste do Acre, o extremo noroeste do Pará e o norte do Amapá, onde a previsão aponta chuvas próximas da média. As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região, com desvios de até 2 °C.
No Nordeste, a previsão também indica predomínio de déficit de chuvas. Há possibilidade de volumes levemente acima da média em parte do setor leste, entre o Rio Grande do Norte e Alagoas.
As temperaturas devem permanecer acima da média histórica, com alguns estados podendo registrar valores até 2 °C superiores à média climatológica.
No Centro-Oeste, o cenário é diferente entre as áreas da região. Segundo dados divulgados pelo Inmet, há previsão de déficit de chuva no centro-norte de Mato Grosso e no norte de Goiás.
Em Mato Grosso do Sul e no sul de Goiás, por outro lado, a previsão indica condições favoráveis para excesso de chuvas. As temperaturas devem ficar acima da média, com desvios de até 2 °C no norte de Mato Grosso.
No Sudeste, São Paulo, Rio de Janeiro e centro-sul de Minas Gerais têm previsão de excesso de chuvas, com desvios de até 100 milímetros. No Espírito Santo, a chuva tende a ser mais irregular, com possibilidade de déficit de até 50 milímetros.
As temperaturas devem ficar acima da média em toda a região. Os maiores desvios, de até 1 °C, estão previstos para a região central de Minas Gerais e o nordeste de São Paulo.
Na Região Sul, segundo dados divulgados pelo Inmet, a previsão indica condições favoráveis para excesso de chuvas nos três estados. Os maiores volumes são esperados para Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde os acumulados podem superar a média histórica do trimestre em até 200 milímetros.
Em relação às temperaturas, a previsão aponta valores acima da média em grande parte da região, principalmente no leste do Paraná, onde os desvios positivos podem chegar a 1 °C.
No Rio Grande do Sul, as temperaturas tendem a ficar próximas da média. Já no sul do estado, podem ocorrer anomalias negativas de até 0,5 °C.
Segundo dados divulgados pelo Inmet, as condições de El Niño devem persistir durante o trimestre outubro-novembro-dezembro de 2026, com elevada probabilidade de manutenção da fase quente do ENOS em intensidade muito forte.
Para a agricultura, o cenário exige atenção principalmente nas regiões com previsão de redução das chuvas e aumento das temperaturas. Segundo dados divulgados pelo Inmet, essas condições podem elevar a demanda hídrica de plantas e animais, reduzir a umidade do solo e diminuir os níveis dos reservatórios ao longo do trimestre.
As lavouras de sequeiro, como soja, milho, arroz de terras altas e feijão, merecem atenção durante a semeadura e o estabelecimento inicial. Em períodos de déficit hídrico prolongado, culturas perenes como mandioca, banana e cacau também podem ter redução do crescimento e do potencial produtivo.
No Nordeste, a irregularidade das chuvas e as temperaturas elevadas podem aumentar os desafios para o início da nova safra de grãos, especialmente no MATOPIBA.
Nas áreas irrigadas, a disponibilidade de água tende a ser mais favorável, mas as temperaturas elevadas podem aumentar a demanda hídrica das culturas. Já nas áreas de sequeiro, a irregularidade das chuvas e a maior evaporação podem elevar o risco de deficiência hídrica.
As pastagens também podem ser afetadas nessas condições, com redução da taxa de rebrota e, consequentemente, menor disponibilidade de massa de forragem para os animais.
No Centro-Oeste, os maiores volumes de chuva previstos para Mato Grosso do Sul, sul de Goiás e sul de Mato Grosso tendem a favorecer a semeadura e o desenvolvimento inicial da soja 2026/27.
Por outro lado, a previsão de chuvas menores no norte de Mato Grosso e de Goiás, associada à elevada demanda de água pela atmosfera, aumenta o risco de déficit hídrico no início do ciclo.
Segundo dados divulgados pelo Inmet, o acompanhamento das previsões de curto prazo e da umidade do solo será importante para definir a janela de plantio e reduzir riscos de falhas na emergência e necessidade de replantio.
No Sudeste, São Paulo e o sul de Minas Gerais apresentam condições favoráveis para a implantação de soja e milho, com previsão de manutenção de níveis mais elevados de água no solo.
Já no norte e noroeste de Minas Gerais e no Espírito Santo, a redução das chuvas e o aumento das temperaturas podem elevar a demanda hídrica de plantas e animais.
No norte e noroeste mineiros, a irregularidade das chuvas no início do período chuvoso, combinada às temperaturas elevadas, aumenta o risco para as áreas de soja. Segundo dados divulgados pelo Inmet, o acompanhamento diário das previsões meteorológicas pode auxiliar no planejamento da semeadura.
Em São Paulo, a distribuição prevista das chuvas tende a favorecer o desenvolvimento da cana-de-açúcar e da hortifruticultura, apesar da tendência de temperaturas mais elevadas.
Na Região Sul, as chuvas acima da média, principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, podem favorecer as culturas de verão e as pastagens, desde que haja condições adequadas de nutrição. Por outro lado, a maior frequência das chuvas pode dificultar o planejamento do plantio da safra 2026/27. Segundo dados divulgados pelo Inmet, os intervalos menores entre os eventos de chuva podem reduzir as oportunidades para o manejo e dificultar a entrada de máquinas nas lavouras.
Esse cenário também pode comprometer a uniformidade da emergência e reduzir o estande das lavouras de soja e milho de primeira safra, com possível impacto sobre a produtividade final.
No arroz irrigado, os desafios são ainda maiores em áreas com drenagem deficiente. A combinação entre solos com menor capacidade de drenagem e elevados volumes de chuva pode provocar excesso de água e comprometer a emergência e o estabelecimento inicial das lavouras.
Segundo dados divulgados pelo Inmet, o monitoramento contínuo das condições observadas e a atualização das previsões climáticas permanecem fundamentais para as principais regiões produtoras do país durante a primavera de 2026.
Agrolink – Seane Lennon
Publicado em 21/09/2026 às 14:04h.
