Bactérias liberam o nutriente; fungos ajudam a transportá-lo até as plantas
A disponibilidade de fósforo no solo depende não apenas da presença do nutriente, mas também dos processos que permitem sua absorção pelas raízes. Segundo o engenheiro agrônomo Fernando Souza, bactérias solubilizadoras e fungos micorrízicos arbusculares participam desse processo de maneiras distintas.
As bactérias solubilizadoras atuam principalmente por meio da produção de ácidos orgânicos, como o cítrico, o lático e o glucônico. Essas substâncias favorecem a dissociação do fósforo ligado a óxidos de ferro e alumínio, permitindo que o nutriente seja utilizado. O fósforo liberado, entretanto, não fica exclusivamente à disposição das plantas, já que também pode ser aproveitado pelos próprios microrganismos do solo.
Para que a solubilização contribua para a nutrição da cultura, o processo precisa ocorrer nas proximidades das raízes, na região conhecida como rizosfera. É nesse espaço que o fósforo liberado pode ficar ao alcance da planta. A localização da atividade microbiana, portanto, influencia o aproveitamento do nutriente.
Os fungos micorrízicos arbusculares, identificados pela sigla FMAs, exercem uma função diferente. Em vez de atuar como solubilizadores, eles mobilizam o fósforo situado mais longe das raízes e participam de seu transporte até o interior da planta, por meio de estruturas chamadas arbúsculos. Nesse caso, o destaque não está na liberação do fósforo associado aos óxidos, mas no deslocamento do nutriente até a planta.
A distinção ajuda a compreender por que solubilização e transporte não devem ser tratados como o mesmo processo. As bactérias atuam na liberação do fósforo, enquanto os fungos micorrízicos arbusculares permitem o aproveitamento do nutriente localizado além da região próxima às raízes.
Por Leonardo Gottems
04/11/2026 02h59 · Fonte: Agrolink
