Dependência de importações mantém frete e alimentos expostos a choques externos.
O Brasil produz cada vez mais petróleo, mas continuará dependendo do mercado externo para abastecer parte da demanda por diesel. Segundo o economista André Galhardo Fernandes, a diferença entre o avanço da extração e a expansão limitada do refino mantém o país vulnerável às oscilações internacionais do combustível.
Em setembro, a produção nacional de petróleo e gás alcançou o recorde de 6,12 milhões de barris de óleo equivalente por dia, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Apenas de petróleo, foram 4,71 milhões de barris diários, volume 20,3% superior ao registrado um ano antes. O pré-sal respondeu por 83,3% da produção conjunta.
A perspectiva para a próxima década reforça esse contraste. O Plano Decenal de Expansão de Energia 2036 projeta produção de petróleo próxima de 4,9 milhões de barris por dia no fim do período, enquanto a capacidade de refino deverá avançar de 2,3 milhões para 2,5 milhões de barris diários. Mais da metade do petróleo extraído deverá seguir para exportação.
O principal desafio será o diesel. Enquanto o refino deve crescer 8,7% na década, a demanda pelo combustível avançaria 19%. A dependência externa poderá permanecer perto de 25% em 2036, mantendo o abastecimento exposto aos preços internacionais e às margens cobradas pelo processamento no exterior.
Na avaliação de Galhardo, vender petróleo bruto e importar derivados transfere parte do valor agregado pelo refino a outros países. Para o agronegócio, essa diferença pesa especialmente no transporte rodoviário, com reflexos potenciais sobre o frete, a distribuição de alimentos e os custos de produção. Já a gasolina e o querosene de aviação apresentam perspectivas mais favoráveis de redução das importações.
Por Leonardo Gottems
04/11/2026 02h00 · Fonte: Agrolink
