Uso de bioestimulantes depende do estresse, da cultura e da resposta agronômica
A escolha de bioestimulantes à base de aminoácidos exige atenção às condições enfrentadas pelas plantas e aos resultados esperados no campo. Segundo Cristiano Zemolin, agente de campo, a recomendação deve partir da fisiologia vegetal, e não apenas da composição do rótulo, diante dos estresses abióticos.
Em períodos de seca e calor, a prolina participa do ajuste osmótico e da proteção celular. Já no encharcamento, quando há menos oxigênio nas raízes, alanina e aspartato estão associados a ajustes metabólicos. Essas funções ajudam a compreender as respostas das plantas, mas não comprovam, por si só, a eficácia de um produto.
Na recuperação após o estresse, leucina, valina e isoleucina também participam do metabolismo e da sinalização celular. Entretanto, a resposta depende da formulação e da aplicação. A presença desses compostos não significa, automaticamente, ganho de produtividade.
Para avaliar uma recomendação, é necessário identificar o fator que limita o desenvolvimento da lavoura e verificar se há respaldo técnico para a composição escolhida. Cultura, estádio fenológico, concentração, dose e via de aplicação precisam entrar nessa análise, assim como as evidências agronômicas.
O acompanhamento da previsão do tempo pode contribuir para avaliar as condições de seca, calor ou excesso de chuva, sem substituir o diagnóstico na lavoura. A decisão também deve considerar se o benefício esperado compensa o investimento por hectare.
Na avaliação de Zemolin, o manejo deve combinar entendimento fisiológico, validação agronômica e viabilidade econômica. Mais do que ampliar o número de produtos utilizados, o objetivo é orientar escolhas que façam sentido para a necessidade da cultura e para o resultado da safra.
Por Leonardo Gottems
27/10/2026 00h00 · Fonte: Agrolink
