A cautela é reforçada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos | Foto: Divulgação
A comercialização de soja exige cautela diante da pressão sobre os preços e das incertezas em relação à recuperação das cotações. Segundo análise da TF Agroeconômica, a recomendação é escalonar as vendas, proteger margens e evitar decisões baseadas apenas na expectativa de valorização em Chicago.
Para os produtores, a orientação é dividir a venda dos estoques em diferentes momentos, aproveitando eventuais altas sem deixar toda a produção exposta ao risco de novas quedas. A definição de preços-alvo deve considerar custos de produção, armazenagem, frete, câmbio e necessidade de capital de giro. Para a safra futura, a proteção de preços pode ser considerada quando assegurar margens satisfatórias.
As cooperativas devem distribuir as operações entre diferentes períodos, comparar ofertas de exportadores e indústrias e avaliar instrumentos de proteção contra oscilações. O planejamento da armazenagem também ganha importância com o aumento da oferta.
Para cerealistas, a prioridade é comprar com destino comercial definido e margem de revenda conhecida, evitando estoques excessivos baseados apenas na expectativa de valorização. Já as indústrias de esmagamento podem aproveitar os recuos para compras graduais, desde que observem as margens obtidas com óleo e farelo.
A cautela é reforçada pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, que pressiona Chicago, embora as compras chinesas continuem fortes. O USDA registrou vendas semanais de 2,841 milhões de toneladas, das quais 2,179 milhões destinadas à China. No Brasil, a projeção de processamento recorde de 66 milhões de toneladas em 2027 pode sustentar a demanda interna.
Para exportadores, a recomendação é acompanhar câmbio, prêmios e fretes e avaliar fixações de preços durante as recuperações, sem confundir a reação recente com uma reversão definitiva da tendência baixista.
Por Leonardo Gottems
26/10/2026 07h24 · Fonte: Agrolink
