No câmbio, o dólar encerrou a última semana a R$ 5,1942
O cenário econômico combina sinais de desaceleração da inflação e do mercado de trabalho no Brasil com incertezas externas envolvendo juros, petróleo e câmbio. Segundo análise do Rabobank, apesar do tom mais hawkish adotado pelo presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole, e do aumento das apostas em uma alta de juros em setembro, a manutenção das taxas até o fim do ano ainda é considerada o cenário mais provável.
No ambiente doméstico, o IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, resultado abaixo das expectativas de mercado e do próprio banco, ambas de recuo de 0,32%. Energia elétrica, passagens aéreas e alimentação contribuíram para a queda. As projeções de inflação foram mantidas em 5,1% para 2026 e 4,1% para 2027.
No câmbio, o dólar encerrou a última semana a R$ 5,1942, com depreciação de 1,06% do real, pior desempenho entre 24 moedas emergentes. A expectativa é de que a moeda americana termine o ano em R$ 5,35, diante da perspectiva de redução do diferencial de juros, possível recuperação global do dólar e fragilidade fiscal doméstica em ano eleitoral. O petróleo Brent, em meio às incertezas relacionadas ao conflito entre EUA e Irã, permanece volátil e acima de US$ 90.
As contas públicas registraram superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, favorecido pelo aumento da receita e pela queda das despesas associada ao calendário de precatórios. No crédito, o saldo avançou 9,5% em relação ao mesmo período anterior, mantendo trajetória de desaceleração.
O mercado de trabalho também apresenta perda gradual de ritmo. A taxa de desemprego ficou em 5,3% em julho. Já o Caged apontou abertura líquida de 58,568 mil empregos formais, abaixo das projeções de mercado e do Rabobank. Nesta semana, as atenções no Brasil estarão voltadas principalmente ao PIB do segundo trimestre, além dos dados fiscais, produção industrial e balança comercial.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 01/09/2026 às 15:10h.
