A cultura também passa a ganhar espaço com o avanço do etanol de cereais
O sorgo ganha espaço como alternativa estratégica na segunda safra em regiões onde o risco climático e financeiro tem pesado cada vez mais na decisão do produtor. A avaliação é de Antonio Prado G. B. Neto, consultor do agronegócio, que aponta um novo ciclo de expansão da cultura no Centro-Norte do Brasil.
A produção nacional deve ultrapassar pela primeira vez a marca de 7 milhões de toneladas na safra 2025/26, chegando a cerca de 7,56 milhões de toneladas. Nos últimos anos, o sorgo registrou crescimento anual composto próximo de 20%, desempenho considerado expressivo entre as culturas agrícolas brasileiras.
O avanço ocorre principalmente em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins. Goiás, isoladamente, já responde por quase 30% da produção nacional. Entre os fatores que sustentam essa expansão estão o menor custo de produção, a maior tolerância à seca, a adaptação a ambientes de risco climático, a demanda por ração, o avanço do etanol de cereais, a genética mais desenvolvida e a busca por maior segurança operacional.
Segundo a análise, um dos pontos centrais da mudança está no custo dos fertilizantes nitrogenados. Com petróleo em patamar elevado, guerra no Oriente Médio e pressão sobre ureia e amônia, o milho de segunda safra tende a operar com margens mais apertadas na próxima safra 2027.
Nesse cenário, produtores de diferentes regiões do Centro-Norte começam a reavaliar a relação entre risco financeiro e retorno esperado no milho. O sorgo aparece como uma opção de menor investimento, com maior resistência a períodos secos e menor exposição em um ambiente de juros elevados, crédito mais restrito, nitrogenados em níveis altos e risco climático crescente, associado à possibilidade de El Niño.
A cultura também passa a ganhar espaço com o avanço do etanol de cereais, deixando de ser vista apenas como alternativa secundária. A expectativa é de aumento de área no Centro-Oeste e no Matopiba, maior participação na segunda safra e expansão do uso industrial. O milho segue relevante, mas áreas de maior risco, especialmente em plantios tardios, podem migrar para o sorgo.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 21/05/2026 às 02:00h.
