O problema é mais intenso em solos tropicais antigos
A baixa disponibilidade de Fósforo, mesmo em solos que acumulam grandes quantidades do nutriente, é um desafio da agricultura tropical. A análise é de Leandro Simões Azevedo Gonçalves, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Esse contraste, chamado de paradoxo do fósforo, ocorre porque o teor total do elemento no solo não corresponde à fração absorvida pelas raízes. Embora o fósforo total varie de 50 a 3.000 mg por kg, o ortofosfato dissolvido na solução, forma disponível às plantas, raramente supera 1% desse volume.
O problema é mais intenso em solos tropicais antigos, ácidos e intemperizados pela ação de chuva e calor. Ricos em óxidos de ferro e alumínio, eles retêm o fosfato em suas superfícies ou o transformam em compostos de baixa solubilidade, reduzindo sua presença na solução. A limitação também alcança as formas orgânicas, que representam de 30% a 65% do fósforo do solo. Entre elas, o fitato se liga aos óxidos com afinidade maior do que o ortofosfato.
A dinâmica do nutriente depende de processos como dissolução e precipitação, sorção e dessorção, além de mineralização e imobilização. Essas reações controlam a entrada e a saída do fósforo da solução e sua conversão entre formas orgânicas e absorvíveis.
Há ainda uma barreira física. Como o fosfato se move lentamente no solo, a raiz pode absorvê-lo mais rápido do que ocorre a reposição. Isso cria uma zona de depleção ao redor das raízes e faz o acesso ao nutriente depender da capacidade da planta de explorar novas áreas do solo.
O tema abre duas frentes de investigação: o destino do fósforo acumulado após décadas de adubação, chamado de legado de fósforo, e as estratégias das plantas para captar o nutriente em condições de escassez, incluindo mudanças nas raízes e associações com microrganismos.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 07/07/2026 às 02:59h.
