O etanol está A expansão simultânea da oferta de gás natural e etanol pode reduzir a exposição do Brasil a choques externos de energia, embora o avanço da produção ainda dependa de maior capacidade de consumo. A avaliação é do economista André Galhardo Fernandes, que destaca o potencial das duas fontes para diminuir a transmissão de altas internacionais do petróleo à economia brasileira.
No gás natural, projetos em implantação podem adicionar cerca de 50 milhões de metros cúbicos por dia ao sistema de transporte. A EPE projeta que a produção líquida passe de aproximadamente 50 milhões para 127 milhões de metros cúbicos diários até 2035. O desafio é ampliar a malha e avançar na regulação para que a oferta encontre demanda.
O etanol está em estágio mais avançado. A Conab estima produção recorde de 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, dos quais 11,91 bilhões devem vir do milho. A expansão ganhou força com custos mais baixos e aumento da capacidade instalada.
“Cada litro de etanol competitivo e cada metro cúbico de gás doméstico que substituem importação reduzem esse canal de transmissão, e o etanol tem a vantagem de competir sem depender de subsídio, ao contrário do que ocorre quando se comprime administrativamente à margem da gasolina”, comenta.
Segundo a análise, maior oferta doméstica de combustíveis reduz a intensidade do repasse de choques internacionais, mas não elimina a influência dos preços externos. O principal desafio passa a ser destravar o consumo, tanto pela ampliação da infraestrutura de gás quanto pelo maior uso de etanol pela frota flex.
“A política energética dos próximos anos importa menos por ampliar oferta, que já está contratada, e mais por destravar consumo. É essa a diferença entre ter capacidade instalada e ter de fato menos vulnerabilidade ao conflito geopolítico”, conclui.em estágio mais avançado
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 09/09/2026 às 13:01h.
