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Defasagem do diesel no Brasil beira os R$ 3 e pressiona importadores

O diesel brasileiro abriu a semana com um preço 74% mais barato que o comercializado no exterior, o equivalente a defasagem de R$ 2,68, segundo levantamento diário da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) em parceria com a StoneX.

Ou seja, o valor vendido nos postos do Brasil está quase R$ 3 abaixo do praticado no mercado internacional.

No primeiro momento, a diferença é positiva ao consumidor, que pode se beneficiar de combustíveis mais baratos no mercado interno, uma vez que o repasse das refinarias às distribuidoras é menor que o do produto importado.

Contudo, a defasagem elevada em um período de incertezas é estrategicamente prejudicial para quem produz petróleo e refina combustível no Brasil – que essencialmente vai perder dinheiro – e para os importadores.

O cenário agrava riscos em relação ao suprimento da demanda nacional, que depende de combustíveis importados – produto mais comprado pelo país em 2025, segundo dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

“A defasagem muito elevada aumenta substancialmente o risco de operações de importação, os negócios não são realizados. Não tendo importação realizada se potencializa o risco de desabastecimento”, pontua Sergio Araujo, presidente-executivo da Abicom.

Para o mês de março, Araujo afirma que as compras realizadas garantem o abastecimento do país. Porém, ressalta que o momento ainda é de “insegurança de realização de importações”.

Até o momento, o presidente da Abicom indica que, para abril, não há uma previsão “muito grande” de volume de importação.

Em meio ao cenário de guerra prolongada no Oriente Médio, cresce o temor de desabastecimento no mundo.

A região é a principal produtora de petróleo do globo e o Estreito de Ormuz – via banhada por águas iranianas e bloqueada pelo regime dos aiatolás – é por onde passa 20% do tráfego mundial ligado à comercialização da commodity.

“[O menor volume de importações] têm haver com a guerra porque [o conflito] provocou aumento de preços no mundo inteiro, e aqui a Petrobras praticando preços artificialmente baixos inibe novas importações”, explica Araujo

A Petrobras abandonou a política de paridade de preços internacionais para evitar repassar ao consumidor o impacto de volatilidades externas. A estratégia tem sido questionada por ser prejudicial à competitividade do setor petrolífero brasileiro.

No curtíssimo prazo, a estatal não considera um novo aumento no preço do diesel, disseram à Reuters três fontes da empresa com conhecimento das discussões.

O executivo afirma que a Abicom vai seguir monitorando o cenário junto de seus associados.

Créditos CNN Brasil JOÃO NAKAMURA

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