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Inflação fica acima do teto da meta

No Brasil, o PIB avançou 1,1%

A economia brasileira voltou a crescer no primeiro trimestre de 2026, em um ambiente ainda marcado por incertezas externas, pressão inflacionária e sinais mistos no mercado de trabalho. Segundo análise do Rabobank, o cenário global segue influenciado por riscos geopolíticos elevados, pela desaceleração do PIB dos Estados Unidos no início do ano e por uma inflação ao consumidor medida pelo PCE levemente abaixo do esperado.

No Brasil, o PIB avançou 1,1% no primeiro trimestre em relação aos três meses anteriores, após dois trimestres de estagnação. O resultado ficou próximo das expectativas do mercado, de 1,0%, e em linha com a projeção do Rabobank. Pelo lado da oferta, o setor de serviços continuou como principal motor da atividade, com alta de 2,1% na comparação anual e de 0,5% frente ao trimestre anterior. Pela ótica da demanda, o consumo das famílias reagiu depois de dois trimestres fracos, com crescimento de 1,7% em um ano e de 1,0% na margem.

A inflação voltou a chamar atenção. O IPCA-15 subiu 0,62% em maio, acima da mediana do mercado e da estimativa do Rabobank. Apesar da desaceleração em relação a abril, quando o índice havia avançado 0,89%, o indicador passou a ficar acima do teto da meta de inflação. Alimentos e energia elétrica foram os principais fatores de pressão no mês.

Na área fiscal, o Tesouro Nacional registrou superávit primário de R$ 25,2 bilhões para o Governo Central em abril, resultado acima das expectativas. O desempenho foi favorecido pelo crescimento das receitas em ritmo superior ao das despesas e pode ajudar o governo no cumprimento da meta fiscal.

O mercado de trabalho formal, por outro lado, apresentou forte perda de ritmo. O Caged apontou a criação líquida de 85.888 vagas em abril, número abaixo do piso das projeções de mercado e inferior à estimativa do Rabobank.

No câmbio, o dólar encerrou a semana anterior a R$ 5,0357, com leve valorização do real. Ainda assim, o Rabobank projeta alta da moeda americana para R$ 5,35 até o fim do ano, diante da expectativa de menor diferencial de juros, possível recuperação global do dólar e fragilidade fiscal em ano eleitoral.

Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 05/06/2026 às 02:30h.

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