Se virasse roteiro de cinema, a vida do paulista Gilberto Alves de Lima teria mais cenas de drama do que de ação e de comédia, com mais perdas do que ganhos. Ao contrário do que se possa supor, porém, este não seria um filme exatamente triste, mas repleto de muitas mudanças inesperadas e um quê de paciência advinda da filosofia segundo Sidarta Gautama, o Buda (563-483 a.C.).
Filho de José Alves de Lima e de Idália Lemos Lima, ambos homenageados como nome de rua no município (no Centro e no Jardim Luz da Yara), Gilberto nasceu em Guaimbê (SP), distante 446 km da capital, no dia dedicado à mentira, 1º de abril, em 1950, mesmo ano em que o Brasil, para tristeza geral da nação, não foi campeão mundial de futebol, perdendo a final para o Uruguai em pleno Maracanã. Algo, para dizer o mínimo, inacreditável.
Ele veio com os pais para a região da vizinha cidade de Poxoréu dois anos depois, pois o pai tinha sido convidado para trabalhar na fazenda do tio Etelvino Lemos, o ricaço da família, conhecido comprador de diamantes das redondezas na época. No entanto, a família não ficou pouco tempo por lá. Destino seguinte: Rondonópolis, levando na mudança apenas algumas malas em cima de um carro de boi.
A chegada por aqui se deu em 1953, ano exato da emancipação política e administrativa do então distrito, que voltara a despertar a atenção de gente de todos os cantos do país interessada em mudar de sorte e de vida.
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“Este foi o nosso caso. Por isso, meus pais decidiram vir morar bem no Centro da cidade. O lugar se restringia a poucas ruas e avenidas, como a Marechal Rondon, a Amazonas e a Cuiabá. A Praça dos Carreiros era o local onde os carros de boi e carroças ficavam estacionados. Embora traçada e planejada, a cidade ainda tinha muito mato ao redor, poeira por toda parte e a maioria dos bairros atuais sequer existia”, disse.
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Quando atingiu a idade certa, ele foi enviado para a escola. Primeiro para o Grupo Escolar Otávio Pitaluga, onde cursou o 1º e 2º ano do Primário.
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“Eu era um péssimo aluno. Só fui aprender a ler com uns 10 anos. Daí meus pais acharam melhor me mandar para Getulina (SP), perto de onde eu nasci e do município de Lins, quando eu tinha 13/14 anos. Foi lá que eu fiz o 3º e 4º ano e também o curso de Admissão.”
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Gilberto voltou para Rondonópolis dois anos depois, agora com 15/16 anos. Aqui, ele fez os três primeiros anos do curso Ginasial no colégio La Salle.
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“O 4º ano foi feito onde hoje funciona a Escola Emanuel Pinheiro, na Rua 13 de Maio, entre as avenidas Tiradentes e Ponce de Arruda. Nessa época, eu comecei a namorar e depois me casei com a Lelita, em 1971. Nosso casamento durou cinco anos e nós tivemos três filhos: Gilbert, Lilian e Frank. Hoje, eles têm 55, 53 e 50 anos respectivamente. Os meninos não moram aqui, mas em outras cidades do Mato Grosso. Já a Lilian mora no Mato Grosso do Sul. Juntos, eles já me deram 11 netos e cinco bisnetos”, revelou.
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“Antes, eu era só estudante. Com o casamento, eu tive que me virar. Fui trabalhar como faz-tudo em transportadora, fui bancário e também funcionário da Conab/Cibrazem, por exemplo, tendo de viajar bastante e trabalhar em diferentes cidades do estado. Com o fim do casamento, eu fiquei algum tempo sozinho, até que eu conheci a Zenilda, com quem eu morei em regime de concubinato até 1983. Mais maduro, eu pude aproveitar mais a vida ao lado dela, pois nós nos dávamos muito bem, mas não tivemos filhos.”
fonte jornal a tribuna de Rondonopolis-MT
