A análise aponta que a discussão não deve se limitar ao preço da saca
O agronegócio brasileiro precisa avançar além da lógica baseada apenas em commodities e considerar com mais atenção o valor agregado de cada produto. A avaliação é de José Carlos de Lima Júnior, especialista em Estratégia, Competição e Estruturas de Mercado em Agronegócios. Ao usar a soja como exemplo, ele destaca que a formação de preços não depende somente da referência dos contratos futuros negociados na bolsa de Chicago, mas também das condições específicas do produto físico.
Enquanto o CBOT indica quanto vale o contrato futuro da soja no mercado global, a arbitragem que define o prêmio local considera fatores como origem, qualidade, momento da negociação e destino da mercadoria. Nesse processo, o valor da soja pode variar conforme o perfil e o valor de uso para cada comprador, além dos atributos técnicos e da qualidade entregue pelo produtor.
A análise aponta que a discussão não deve se limitar ao preço da saca. O ponto central está em identificar quanto vale cada componente presente nessa saca para os objetivos de diferentes compradores. Essa leitura reforça a ideia de que o futuro do agronegócio brasileiro está ligado à capacidade de precificar valor, e não apenas volume.
Lima Júnior também projeta uma revisão no volume de soja brasileira importada pela China por meio de ajustes relacionados à qualidade do produto. Segundo a análise, uma mesma tonelada pode gerar mais farelo ou óleo dependendo dos percentuais de proteína e óleo presentes no grão. Assim, a conta deixa de estar concentrada apenas no volume de entrada e passa a considerar também a porcentagem de saída obtida a partir da matéria-prima.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 26/08/2026 às 09:09h.
