A expansão futura depende de planejamento
A sustentabilidade entrou em fase mais ampla, marcada pela combinação entre meio ambiente, economia, energia, segurança e geopolítica. A avaliação é de Gustavo Spadotti, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e chefe-geral da Embrapa Territorial, que aponta o Brasil como um dos países mais bem posicionados nesse cenário.
Segundo a análise, o tripé da sustentabilidade e o conceito de ESG não explicam sozinhos as prioridades atuais. Guerras, disputas comerciais, inflação, insegurança energética e cadeias fragmentadas ampliaram o peso de fatores econômicos e estratégicos.
O Brasil reúne vantagens raras: produção de alimentos, disponibilidade de água, matriz energética renovável, biodiversidade e ciência tropical avançada. O país também desenvolveu tecnologias que ganharam escala, como plantio direto, fixação biológica de nitrogênio, integração lavoura-pecuária-floresta e bioinsumos.
A expansão futura depende de planejamento. O crescimento pode ocorrer pelo uso sustentável de áreas aptas, pelo aumento da produtividade e pela intensificação dos sistemas, com recuperação de pastagens, irrigação e integração de atividades. Ferramentas de zoneamento e inteligência territorial ajudam a orientar essas decisões.
A agricultura digital ganha espaço com satélites, sensoriamento remoto, inteligência artificial, geoprocessamento e modelagem territorial. O desafio deixa de ser apenas produzir mais e passa a envolver rastreabilidade, eficiência, previsibilidade e viabilidade econômica.
“Apesar disso, eu sou profundamente otimista. O Brasil é o único país do mundo que saiu da enxada para o drone em apenas uma geração e liderou essa transformação. Não apenas como potência agrícola. Mas como potência ambiental, alimentar, energética, tecnológica e estratégica do século XXI”, conclui
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 23/06/2026 às 02:15h.
