Na soja, o óxido nítrico participa do reconhecimento entre a planta e as bactérias
O óxido nítrico tem ganhado destaque por sua atuação rápida e decisiva na fisiologia das plantas, mesmo permanecendo por poucos segundos dentro das células. Segundo o engenheiro agrônomo Braitner L. Andrade, a molécula funciona como um mensageiro capaz de coordenar processos que influenciam o desenvolvimento das lavouras e o resultado da colheita.
Na soja, o óxido nítrico participa do reconhecimento entre a planta e as bactérias responsáveis pela fixação de nitrogênio. Quando esse mecanismo não ocorre de forma adequada, a formação de nódulos e a simbiose podem ser prejudicadas, com impacto sobre o aproveitamento do nutriente.
No arroz irrigado, a molécula atua como um sensor de sobrevivência em solos encharcados. Em condições de baixa disponibilidade de oxigênio, as raízes produzem óxido nítrico para ativar ajustes metabólicos necessários à manutenção da planta. Em situações de estresse hídrico, o composto também trabalha em conjunto com o ácido abscísico, conhecido como ABA, sinalizando o fechamento dos estômatos e reduzindo a perda de água.
A relação entre nutrição e fisiologia amplia a importância do manejo do nitrogênio. A enzima nitrato redutase também participa da produção de óxido nítrico, o que indica que a adubação nitrogenada não atua apenas no fornecimento de nutrientes. Ela também interfere na capacidade da planta de se comunicar internamente e reagir às mudanças do ambiente.
Nesse contexto, a inteligência artificial surge como ferramenta para integrar dados de clima, nutrição e disponibilidade de água. A análise conjunta dessas informações pode ajudar a identificar limitações fisiológicas antes que os sintomas se tornem visíveis, favorecendo um manejo preventivo e mais alinhado ao funcionamento biológico das culturas.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 23/06/2026 às 02:59h.
