Autor defende prazos ajustados à safra e divisão dos riscos de crédito
A pressão sobre as margens comerciais e os riscos de inadimplência desafiam a continuidade dos distribuidores de insumos agrícolas.Em análise publicada no LinkedIn, David Telio, diretor de Novas Estruturas Financeiras da TerraMagna, defende medidas de financiamento e compartilhamento de riscos para preservar a atuação dessas empresas na cadeia produtiva.
Segundo o autor, os distribuidores assumem compromissos com fornecedores e credores ao comprar os produtos e, na venda ao produtor, ficam expostos ao risco de não receber. Mesmo quando o cliente deixa de pagar, as obrigações da revenda permanecem, assim como os custos para manter a operação.
Telio observa que essa dinâmica ocorre em um ambiente de restrições financeiras, incertezas sobre a demanda e redução das margens. O quadro também envolve as indústrias de insumos, pressionadas em seus resultados, e os produtores rurais, que enfrentam dificuldades.
Na avaliação apresentada, a recuperação judicial, a recuperação extrajudicial ou o fechamento de uma distribuidora afetam mais do que a empresa. Esses processos enfraquecem uma rede de relacionamentos, conhecimento, empregos, crédito e serviços construída ao longo dos anos.
Entre as propostas estão linhas de crédito com juros e prazos compatíveis com o ciclo agrícola, com mecanismos semelhantes aos oferecidos às cooperativas. O autor também aponta a necessidade de financiamento de longo prazo para armazenagem, logística, tecnologia e modernização operacional.
Outra frente é o compartilhamento e a mitigação dos riscos de crédito, envolvendo o seguro rural. Telio defende a participação da indústria, do mercado financeiro, do governo e do Congresso Nacional na construção de condições para a sustentabilidade financeira da distribuição.
Por Leonardo Gottems
05/11/2026 14h23 · Fonte: Agrolink
