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Cacique Raoni está com câncer e tem cuidados paliativos em sua casa no Nortão

Só Notícias (foto: arquivo/assessoria)

14/09/2026 20:58

O Cacique Raoni Metuktire, 94 anos, uma das principais lideranças indígenas do Brasil, referência internacional na defesa dos povos indígenas, dos territórios e da floresta, está enfrentando um câncer. A confirmação foi feita, hoje, pelo seu instituto. Desde o início do ano, ele passou por um período especialmente delicado em relação à sua saúde, marcado por sucessivas internações, exames, agravamentos clínicos, transferência aérea para São Paulo, cirurgia e, posteriormente, pela necessidade de cuidados paliativos contínuos.

“A família, o Instituto Raoni, profissionais de saúde, serviços públicos e parceiros têm se mobilizado para garantir a continuidade dessa assistência. Atualmente, sua condição permanece delicada e exige acompanhamento contínuo. O tratamento segue orientado pelos cuidados paliativos, com atenção ao controle da dor e de outros sintomas, alimentação, hidratação, fisioterapia, administração adequada de medicamentos e monitoramento de possíveis complicações”, informa o instituto. “Neste momento, nossa prioridade é que o Cacique Raoni esteja bem cuidado, confortável e próximo de sua família e de seu povo. Queremos compartilhar essas informações com transparência, mas também pedimos respeito à sua privacidade, ao seu descanso e às decisões de sua família”, acrescenta.

A assessoria informa que a prioridade é garantir que Raoni possa receber os cuidados necessários com segurança, conforto e dignidade, respeitando sua cultura, sua língua, suas decisões e a presença de seus familiares e de seu povo.

Os primeiros sinais de agravamento surgiram, há alguns meses, quando Raoni começou a apresentar dores abdominais persistentes. Diante do quadro, ele foi internado no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo onde teve a primeira suspeita, logo em seguida foi transferido a um hospital em Sinop para investigação. O cacique já apresentava outros problemas de saúde relevantes, entre eles Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, associada ao histórico de tabagismo, hérnia diafragmática decorrente de trauma torácico antigo, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca e bloqueio atrioventricular que necessitou uso de marcapasso. Esse conjunto de fatores exigia atenção constante e aumentava os riscos de intervenções mais agressivas. Em junho, já em sua residência em Peixoto, o quadro voltou a se agravar, Raoni começou a apresentar episódios de vômitos incontroláveis e precisou receber atendimento emergencial, foi novamente transferido a Sinop, e exames realizados identificaram uma obstrução intestinal na altura do duodeno, provocada pelo tumor  que impedia a passagem do conteúdo gástrico pelo sistema digestivo. Diante da gravidade e da necessidade de um atendimento especializado, as equipes médicas passaram a discutir a possibilidade de transferência a um centro de referência. Depois de uma avaliação criteriosa dos riscos e de diálogo com a família, foi indicada a remoção de emergência para o Hospital São Paulo, hospital universitário da Escola Paulista de Medicina da Unifesp, para cirurgia capaz de aliviar a obstrução intestinal.

O instituto informa ainda que, dia 20 de junho, Raoni foi submetido a uma gastroenteroanastomose por videolaparoscopia que criou nova passagem no sistema digestivo para permitir que os alimentos contornassem a região que estava obstruída pela tumoração. A cirurgia não teve como objetivo retirar o câncer, mas restaurar o trânsito intestinal, uma das complicações mais graves provocadas pela doença e permitir melhores condições de alimentação e conforto. O exame anatomopatológico realizado posteriormente confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pouco diferenciado, um tipo de câncer de comportamento agressivo. A confirmação do diagnóstico levou as equipes médicas a uma nova avaliação sobre as possibilidades de tratamento. Foram considerados a localização e o tamanho da neoplasia, o comportamento da doença, a idade avançada do Cacique e suas demais condições clínicas.

Raoni utiliza marcapasso, apresenta insuficiência cardíaca e hipertensão arterial, além de doença pulmonar obstrutiva crônica e hérnia diafragmática traumática crônica. Diante desse conjunto de fatores, tratamentos com objetivo curativo, como uma cirurgia de maior porte, quimioterapia ou outras terapias oncológicas, representam riscos elevados de morte e não foram considerados adequados à sua condição naquele momento.

A partir dessa avaliação, o tratamento passou a ter como prioridade os cuidados paliativos. É importante esclarecer que cuidados paliativos não significam abandono de tratamento e tampouco que “não há mais nada a fazer”. Pelo contrário: trata-se de uma mudança no foco da assistência. O objetivo passa a ser controlar a dor e outros sintomas, reduzir desconfortos, preservar a autonomia possível, garantir alimentação e hidratação adequadas, prevenir complicações, oferecer acompanhamento médico e de enfermagem e proporcionar a melhor qualidade de vida possível.

No caso de Raoni, essa decisão também considera a importância de permanecer próximo de sua família e de seu povo. A possibilidade de estar em casa, cercado por parentes, falando sua língua, recebendo a presença de pessoas próximas e mantendo suas referências culturais faz parte do cuidado. Os cuidados paliativos buscam garantir não apenas assistência médica, mas também condições para que Raoni permaneça próximo de sua família, de seu povo, de sua língua e de suas referências culturais e espirituais, com respeito à presença dos pajés e às práticas escolhidas por ele e por seus familiares

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