A análise compara as cotações da soja em Chicago com a ocorrência de El Niño
O comportamento do clima ajuda a explicar parte da volatilidade da soja, mas os efeitos sobre as cotações não aparecem da mesma forma em todos os regimes climáticos. Segundo Marcos Rubin, CEO e fundador da Veeries, o cruzamento de 26 anos de dados mostra que períodos de El Niño raramente estiveram associados a grandes variações no preço do grão.
A análise compara as cotações da soja em Chicago com a ocorrência de El Niño e La Niña desde 2000. O padrão identificado concentra as oscilações mais intensas, especialmente os movimentos de alta, em anos marcados pela La Niña. O gráfico elaborado pela Veeries reforça essa correlação ao reunir preços, regimes climáticos e diferentes níveis de intensidade ao longo da série histórica. A distribuição dos pontos indica que os picos mais relevantes ficaram concentrados em episódios de La Niña, enquanto os anos de El Niño apresentaram, em geral, menor volatilidade.
A diferença estaria ligada à geografia do risco para as principais áreas produtoras. O El Niño tende a elevar a preocupação com o Brasil Central, mas, ao mesmo tempo, favorece as condições de safra no Rio Grande do Sul, na Argentina e nos Estados Unidos. Com a La Niña, essa dinâmica se inverte, aumentando a possibilidade de perdas simultâneas nessas regiões e, consequentemente, o potencial de reação dos preços.
Esse histórico reduz a força da expectativa de uma recuperação acentuada das cotações apenas com a formação de um novo El Niño. Pela leitura apresentada, o fenômeno, isoladamente, não oferece suporte suficiente para uma alta expressiva. Para que os preços avancem de forma mais consistente, serão necessários outros gatilhos capazes de alterar o equilíbrio do mercado.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/07/2026 às 08:28h.
