Compras da China e embarques elevados não compensaram a pressão da safra americana
Os contratos futuros da soja encerraram a segunda-feira em forte queda na Bolsa de Chicago, diante do avanço da colheita nos Estados Unidos. Segundo a TF Agroeconômica, a pressão sazonal da oferta prevaleceu sobre os sinais positivos da demanda, mesmo com novas compras chinesas e embarques expressivos do grão americano.
O contrato com vencimento em novembro perdeu 1,43%, equivalente a 17,50 centavos de dólar por bushel, e terminou a 1.204,75 centavos por bushel. A posição de janeiro recuou 1,42%, para 1.216,75 centavos por bushel. O movimento atingiu os derivados: o farelo para dezembro caiu 1,54%, a US$ 319,60 por tonelada curta, enquanto o óleo de soja recuou 1,24%, para 65,08 centavos por libra-peso.
A colheita americana segue favorecida pelas condições de campo. Analistas privados estimam que os trabalhos tenham alcançado 88% da área, enquanto os operadores aguardam o novo relatório de progresso das lavouras do USDA. A expectativa de um relatório mensal de oferta e demanda (WASDE) com viés baixista, previsto para o dia 10, também contribuiu para a cautela.
Do lado da demanda, o USDA confirmou uma venda adicional de 136 mil toneladas de soja da safra 2026/27 para a China. As inspeções de embarque dos Estados Unidos chegaram a 2,444 milhões de toneladas, das quais 1,524 milhão teve o país asiático como destino, volume no teto das expectativas.
Na América do Sul, a desvalorização do real e as chuvas favoráveis no Brasil ajudam a manter o ritmo das operações agrícolas. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estimou o plantio da soja em 23,3% da área prevista. A oferta e o andamento das safras seguem no radar de quem acompanha as cotações da soja.
Por Leonardo Gottems
03/11/2026 07h08 · Fonte: Agrolink
