A mudança começou em janeiro de 2026
O mercado de óleo de soja passou a responder com mais intensidade às decisões regulatórias sobre biocombustíveis, reduzindo o peso exclusivo dos fundamentos de oferta e demanda. Segundo análise da economista e doutora em Agronegócios Maria Flávia Tavares, o comportamento dos preços nos últimos doze meses foi guiado, em grande parte, pelo calendário regulatório dos Estados Unidos.
Entre julho e dezembro de 2025, as cotações ficaram em uma faixa estreita diante da falta de clareza sobre o novo modelo de crédito de biocombustíveis e sobre as metas de mistura da EPA. A incerteza manteve os fundos de investimento com posições contidas e limitou movimentos mais firmes.
A mudança começou em janeiro de 2026, quando sinais de uma meta mais robusta estimularam compras antecipadas pelo Managed Money. Em fevereiro, a tensão entre Estados Unidos, Israel e Irã elevou os preços de energia e reforçou a valorização dos óleos vegetais. O ponto de inflexão ocorreu em 27 de março, com o anúncio da maior meta de mistura de biodiesel da história do programa americano, praticamente dobrando o volume exigido para 2026.
A confirmação provocou forte entrada dos fundos, recorde no número de contratos em aberto e a maior alta do período. Entre junho e julho, porém, o movimento perdeu força com a contestação judicial da indústria de combustíveis fósseis, a queda do petróleo, a entrada da safra sul-americana e a realização de lucros.
No Brasil, o avanço do B15 e a discussão sobre o B16 ampliam a demanda interna por óleo de soja. Mesmo com safra e esmagamento recordes, o biodiesel funcionou como amortecedor dos preços e reduziu parte da pressão baixista. O setor passa, assim, a acompanhar os calendários regulatórios da EPA e do CNPE, além da safra e do posicionamento dos fundos.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/07/2026 às 02:59h.
