A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos
A imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros amplia as tensões comerciais e abre uma nova etapa de negociações. A medida entra em vigor em 22 de julho, mas terá lista de exceções, preservando itens relevantes para as exportações e para o abastecimento do mercado americano.
A decisão foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos após uma investigação de cerca de um ano, conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo americano sustenta que práticas brasileiras restringem o comércio, com críticas ao PIX, ao acesso do etanol dos EUA, à regulação de plataformas digitais, à propriedade intelectual, ao desmatamento, à corrupção e à entrada de produtos ligados ao trabalho forçado.
Apesar da sobretaxa, 864 produtos ficaram fora da cobrança. A lista inclui petróleo, café, carne bovina, suco de laranja, peças de aeronaves, celulose, terras-raras, açaí e água de coco. No caso da carne, a manutenção das importações busca evitar impactos sobre o abastecimento e os preços, diante do menor rebanho bovino americano em 75 anos.
Mercadorias que já tiverem deixado o Brasil em direção aos Estados Unidos também não serão atingidas. O governo brasileiro contesta as acusações e considera inegociáveis pontos como o PIX, a tributação de plataformas digitais e as regras para o etanol. Entre as alternativas avaliadas estão a continuidade das tratativas e medidas previstas na Lei de Reciprocidade Econômica.
Outro processo ainda pode resultar em uma sobretaxa adicional de 12,5% para países que, segundo Washington, não controlam suficientemente a entrada de produtos fabricados com trabalho forçado. Se as cobranças forem acumuladas, a tarifa sobre parte das exportações brasileiras poderá chegar a 37,5%.
Agrolink – Leonardo Gottems
Publicado em 16/07/2026 às 06:27h.
